O setor de serviços impulsionou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que em 2018 fechou com expansão de 1,1%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, a atividade respondeu por 75,8% da geração de riquezas no País. A alta individual do setor em 2018, em relação a 2017, foi de 1,3%, a maior entre as demais áreas produtivas avaliadas. Ainda segundo o IBGE, os serviços também geraram mais de 75% das vagas formais de trabalho abertas no período.
Em fevereiro de 2019, o Brasil registrou a abertura de 173.139 novos postos de trabalho com carteira assinada, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. O setor de destaque na geração de empregos, tanto no Estado quanto no País, foi o de serviços, que apresentou o maior crescimento. Em Goiás, nos últimos 12 meses, o segmento gerou 15.422 vagas a mais, um aumento de 3,28%, enquanto a variação nacional foi de 2,52%.
Segundo especialistas em inovação e economia colaborativa, a forte expansão do setor de serviços está ligada, além da natural retomada da economia brasileira desde o fim de 2017, também a novas formas encontradas pelos empreendedores de dar giro a seus produtos e serviços. Uma prática que tem crescido nos últimos anos, principalmente com o advento da internet, é a permuta. “Os sistemas de permutas têm sido uma forma eficiente de gerar valor e conquistar novos clientes”, afirmam executivos do setor.
Custos operacionais
Para muitas empresas, o sistema de trocas multilaterais foi o que possibilitou a manutenção das atividades mesmo nos períodos mais críticos da economia. O diretor da Climt Medicina do Trabalho, Alexandre Monteiro Pena, explica que o uso de permutas ajudou a arcar com custos operacionais. “Aproveitei essa receita em moeda digital para investir em serviços necessários como compra de insumos, publicidade, alimentação, além de confraternizações e premiações para funcionários”, afirma.
A empresária Viviane Oliveira, dona de um centro de estética em Goiânia, também recorreu às permutas multilaterais para levantar recursos rapidamente e reformar seu salão. Negociando apenas alguns de seus serviços em moeda digital, conseguiu em dois meses o equivalente a R$ 2.500, valor necessário para a reforma. “Se fosse em reais, poderia demorar mais de seis meses”, explica.
Ela destaca ainda que a participação nesse sistema foi uma forma alternativa de divulgar seus serviços, atraindo novos clientes. “Com a grande procura pelos pacotes que disponibilizei, tivemos contato com um público novo que provavelmente deve voltar a nos procurar e indicar nossos serviços”, acrescenta.
Conexão e networking
Especialistas em economia colaborativa lembram que a prática de trocar serviços e produtos sempre existiu, mas em escala muito menor. Geralmente ocorria entre comerciantes de um mesmo bairro ou empresas parceiras, em acordos diretos e unilaterais.
“Hoje, com as plataformas digitais de permutas multilaterais, empresas de qualquer porte e profissionais autônomos de diversas áreas estão conectados em uma rede de trocas que ocorre de forma segura, rápida, sem burocracia e por meio de moeda virtual”, explicam executivos do setor.
Nessas plataformas, milhares de associados negociam serviços e produtos com moeda digital própria, cujo valor é equivalente ao Real. Diferente de outros modelos, não há taxa de adesão ou mensalidade. Apenas no momento da compra em moeda virtual é cobrada uma taxa de manutenção em reais, equivalente a 10% do valor da transação.
Outro benefício apontado é a ampliação da rede de contatos. “Na prestação de serviços, a indicação é primordial para conquistar novos clientes. Esse sistema de permutas funciona também como um grande networking, com potencial de divulgação para as empresas”, afirmam especialistas.
As permutas também têm se mostrado uma solução para manter negócios ativos em tempos de crise, assegurando a continuidade de serviços essenciais como contabilidade, marketing, manutenção predial, entre outros. “Durante os anos de retração econômica, muitas empresas recorreram às trocas multilaterais como alternativa viável para reduzir custos e seguir em atividade”, concluem os analistas.
Via Jornal Hora Extra